A IMPORTANCIA DO DIAGNÓSTICO AUDIOLÓGICO PRECOCE

O bebê já ouve desde a barriga?
29 de agosto de 2019
Labirintite – O que é, sintomas, cura, o que causa, como trata
12 de setembro de 2019

 

DSA nasceu de 33 semanas, permaneceu 33 dias na UTI devido à intercorrências pós-nascimento. Não fez uso de antibióticos nesse período de internação.

Quando foi realizar a Triagem Auditiva Neonatal (TAN) ou “Teste da orelhinha”, DSA não passou no teste. Realizou o reteste e também falhou em ambas as orelhas.

Dessa forma foi encaminhado para avaliação otorrinolaringológica. O médico ORL solicitou avaliação audiológica diferencial, visto que DSA também tinha indicadores de risco para ter deficiência auditiva. A prematuridade ao nascer é um deles.

Chegou à Audioclínica em novembro de 2017, aos 3 meses de vida.

DSA realizou todos os exames necessários para verificar se havia ou não uma perda auditiva. As Emissões Otoacústicas transientes e produto de distorção, exames utilizados para avaliar a funcionalidade das células ciliadas externas da cóclea demonstraram alteração bilateralmente.

Logo em seguida, partimos para a avaliação por meio do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico – PEATE ou BERA. Nesse exame buscamos avaliar o nervo auditivo e regiões do tronco encefálico, a fim de detectar possíveis alterações centrais.

O PEATE veio totalmente ausente nas duas orelhas. Infelizmente confirmou-se uma deficiência auditiva do tipo sensorioneral.

Só que o diagnóstico audiológico ainda não estava completo. Para realizar um diagnóstico de deficiência auditiva com total confiabilidade é de extrema importância realizar o PEATE por frequência específica (FE). Só através dele podemos verificar a configuração da perda auditiva e o limiar em cada frequência (500Hz , 1000Hz, 2000Hz e 4000Hz).

EXEMPLO DE PEATE –FE em 500Hz.

 

EXEMPLO DE PEATE –FE EM 4000Hz.

Identificando o limiar em cada frequência é possível realizar a adaptação do aparelho auditivo.

Ressalto que é completamente errado adaptar aparelho auditivo tendo apenas o PEATE com pesquisa de limiar feita por estímulo clique.

Foi por meio de todas essas etapas de diagnóstico que foi possível que DSA fosse encaminhado para a cirurgia de Implante Coclear. Olha só a importância de uma boa condução de caso.

O coração dos pais no momento do diagnóstico fica despedaçado e inúmeras dúvidas começam a surgir. Dá para voltar a ouvir com algum recurso? Meu filho vai falar? Ele poderá frequentar uma escolar regular? Etc, etc, etc…

O Fonoaudiólogo que faz o diagnóstico deve ter muita experiência em diagnóstico, carinho e atenção com essa família que acaba de perder “o filho perfeito”. A reabilitação auditiva se inicia nesse momento, com a explicação do que é uma perda auditiva, sobre o provável local da alteração e sobre todas as opções tecnológicas disponíveis para reabilitação. É de extrema importância que essa família seja encaminhada para um médico ORL especialista em otologia e que tenha vasta experiência em reabilitação auditiva.

Não aceite diagnóstico audiológico diferencial sem PEATE – FE, caso seu filho tenha suspeita de perda auditiva.

Uma equipe de diagnóstico e reabilitação experiente e bem formada faz toda a diferença para se obter um diagnóstico confiável.

 

Andressa Pelaquim

Mestranda em Ciências da Saúde – UEL

Fonoaudióloga/ Audiologista responsável pelo setor de Eletrofisiologia da Audição na Audioclínica.