POTENCIAL EVOCADO AUDITIVO DE LONGA LATÊNCIA (PEALL)

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O Potencial Evocado Auditivo de Longa Latência (PEALL) é um método efetivo para avaliar o processamento auditivo em todas as faixas etárias.

O PEALL é composto pelos componentes exógenos ou sensoriais P1-N1-P2 e são dependentes das características do estímulo acústico e da integridade do sistema auditivo. Esse complexo é de extrema importância, pois corresponde à atividade elétrica referente à chegada do estímulo sonoro ao córtex e ao início do processamento cortical (FRIZZO & ADVÍNCULA, 2018).

O estudo do complexo P1-N1-P2 nos fornece informações importantes acerca da percepção da fala no córtex auditivo, da maturação do sistema auditivo, da capacidade de audibilidade do paciente com deficiência auditiva e sobre a qualidade do processamento da informação acústica (FRIZZO & ADVÍNCULA, 2018).

Crianças que apresentam trocas na fala ou atraso no desenvolvimento da linguagem a avaliação desse complexo pode auxiliar no planejamento terapêutico, uma vez que avaliamos a maturação da via auditiva central e verificamos se há ou não um atraso no desenvolvimento fisiológico das habilidades de detecção e discriminação auditiva dos sons.

Além dos componentes exógenos, o PEALL é composto pelos componentes endógenos MMN e P300. Esses componentes estão relacionados com uma atividade cognitiva ou a algum evento, por isso que o P300 também é conhecido como Potencial Evocado Auditivo Cognitivo ou relacionado a eventos.

O MMN está associado com a discriminação do som, sendo uma resposta automática e involuntária (Frizzo & Advíncula, 2018). O MMN ainda não é muito utilizado na rotina clínica, mas os estudos demonstram que ele pode auxiliar na identificação de alterações que envolvem a discriminação do estímulo acústico. Na prática clínica, crianças que apresentam trocas na fala, por exemplo, /f/ por /v/, mas mesmo com a terapia fonoaudiológica continuam a apresentar dificuldade para diferenciar esses dois fonemas.

O P300 é um PEALL que exige a execução de uma tarefa cognitiva. As respostas são geradas pelo córtex auditivo, córtex pré-frontal e centroparietal, além do hipocampo. As áreas associativas auditivas e linguísticas, do tálamo e do córtex temporoparietal também exercem papel fundamental na geração desse potencial (FRIZZO & ADVÍNCULA, 2018).

O PEALL é um excelente exame para complementar a Avaliação do Processamento Auditivo Central em todas as faixas etárias. Ele nos auxilia na identificação de alterações na via auditiva central, e nos ajuda a planejar a terapia fonoaudiológica, que pode ser desde a terapia de linguagem para uma criança com trocas na fala até o Treinamento Auditivo Acusticamente Controlado (TAAC) para os casos que necessitam.

Dessa forma, ele deve ser realizado na prática clínica sempre que houver indicação, uma vez que ele está relacionado com as habilidades auditivas de detecção, atenção e discriminação auditiva, habilidades extremamente importantes para o desenvolvimento da linguagem oral.

Exame realizado no Equipamento IHS. Paciente foi orientado a manter a atenção no estímulo raro e a contar todos os que ouvissem no meio dos estímulos frequentes.

 

REFERÊNCIA

FRIZZO AC; ADVÍNCULA KP. Potencias Evocados Auditivos de Longa Latência: Conceitos e Aplicações Clinicas. In: Tratado de Eletrofisiologia para a Audiologia. Orgs. Menezes, et al. 1ª Ed., 2018; 139-50.

 

Texto:

Andressa Pelaquim

CRFa 3-19141

Mestranda em Ciências da Saúde na UEL

Audiologista responsável pelo setor de Eletrofisiologia da Audição da Audioclínica